Cerca de 10 mil mortes foram registradas até junho deste ano em razão da onda de calor que atinge continente.
Termômetros na Europa podem marcar temperaturas acima dos 40°C.Foto: Tânia Rego/EBC/ND Mais
Enquanto resiste ao desastre ambiental provocado pela escalada dos incêndios florestais, a população da Europa se prepara para enfrentar uma nova onda de calor com temperaturas acima de 40 °C entre o final de julho e o início de agosto de 2026.
Na França, por exemplo, os termômetros podem registrar 37°C nesta quarta-feira (28). Na Espanha, o calor progride ao longo do final de semana, chegando a 37°C na próxima segunda-feira (3). Os dois países são os mais afetados pelos incêndios no continente.
Segundo meteorologistas da Severe Weather Europe, autoridade global em previsão meteorológica e análise de tempo severo, o fenômeno climático ocorre devido a um “bloqueio atmosférico ômega típico”, que desloca uma massa de ar do Deserto do Saara para as regiões ocidental e central do continente europeu, além do Mar Mediterrâneo.
A SWE explica que a massa de ar quente atinge inicialmente a Península Ibérica e a França, locais onde os termômetros podem registrar até 45 °C.
Com o deslocamento do sistema para o leste, países como Alemanha, Itália, Hungria e nações do norte dos Bálcãs também registrarão marcas superiores a 40 °C.
A entidade ainda detalha que o evento meteorológico resulta da formação de uma “cúpula de calor”.
Essa condição se estabelece quando uma ampla área de alta pressão atua como uma tampa, aprisionando o ar quente próximo à superfície e elevando as temperaturas.
Evento meteorológico resulta da formação de uma “cúpula de calor”.Foto: Divulgação/WXCharts/ND Mais
A configuração direciona ventos secos do continente para o Mediterrâneo, situação que aumenta as temperaturas devido ao “efeito do vento Föhn descendente”.
O sistema de alta pressão permanecerá posicionado sobre a Europa por aproximadamente duas semanas.
Dados do EuroMOMO, o Sistema Europeu de Monitorização da Mortalidade, mostram registros de mais de 10 mil mortes em razão do excesso na onda de calor de final de junho.
Maioria desses óbitos, cerca de 9.000, ocorreram entre pessoas com 65 ou mais anos. Apenas a França respondeu por pelo menos 5.764 mortes.
A exposição prolongada a essas condições climáticas apresenta riscos para a saúde humana, e os serviços de emergência organizam o atendimento para casos de insolação.
A onda de calor causa desidratação, tontura e aumenta os índices de ataques cardíacos, derrames e doenças respiratórias.
O alívio térmico durante a madrugada será escasso, uma vez que as temperaturas noturnas permanecerão entre 25 °C e 30 °C, fenômeno associado às chamadas “noites tropicais”.
Grupos vulneráveis, como idosos e crianças, além de trabalhadores ao ar livre, possuem maior suscetibilidade às doenças relacionadas ao calor.
A falta de sistemas de ar condicionado central na maior parte das residências europeias agrava o estresse fisiológico da população civil.
O clima e os ventos reduzem a umidade relativa do ar para níveis inferiores a 20%. Esse cenário gera “condições para incêndios florestais explosivos”, com risco iminente de novos focos em regiões de florestas na Espanha, na França, na Itália e na Península Balcânica.
Fonte: ND Mais
Vinicios Souza