Ministro do STF determinou que a Polícia Federal ouça o senador em até 10 dias em investigação por suposta calúnia contra o presidente Lula
Moraes mandou a PF ouvir Flávio Bolsonaro em até dez dias em investigação por suposta calúnia contra o presidente LulaFoto: Bruno Peres/Agência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a PF (Polícia Federal) ouça o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em até dez dias no inquérito que investiga o crime de calúnia contra o presidente Lula (PT).
A decisão atende a um parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), que apontou a necessidade do depoimento e destacou a possibilidade de retratação do parlamentar.
Por ser senador, Flávio poderá combinar com a Polícia Federal o local, a data e o horário para prestar o depoimento.
A investigação foi aberta após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X (ex-Twitter). No post, ao comentar a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, o senador escreveu:
“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas.”
O inquérito apura uma publicação de Flávio Bolsonaro na rede social X com acusações contra o presidente LulaFoto: Julia Zanatta/JuliaZanattaSC/YouTube
Segundo a Polícia Federal, a postagem atribuiu falsamente ao presidente da República a prática de crimes como tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro, o que caracteriza, em tese, o crime de calúnia.
Ao concluir a investigação preliminar, no fim de junho, a PF afirmou que ficou caracterizada a imputação falsa de crimes ao presidente Lula.
Para os investigadores, Flávio Bolsonaro atribuiu ao chefe do Executivo condutas criminosas previstas na legislação brasileira sem apresentar elementos que comprovassem as acusações.
A decisão de Alexandre de Moraes seguiu manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. No parecer enviado ao STF, Gonet afirmou que ouvir o senador é uma medida relevante porque a legislação permite que o investigado se retrate antes da sentença, o que pode afastar a aplicação de pena.
Flávio Bolsonaro e Lula são pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de outubroFoto: Marcos Corrêa/PR/Reprodução
Segundo o procurador, a oitiva é importante justamente pela possibilidade de retratação.
Pelo Código Penal, quem responde por calúnia pode ficar isento de pena caso se retrate antes da sentença. Quando a ofensa ocorre por meio de veículos de comunicação ou redes sociais, a retratação pode ser feita pela mesma plataforma, caso a vítima concorde.
A investigação foi autorizada por Moraes em abril.
Na ocasião, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que o procedimento representa uma tentativa de restringir a liberdade de expressão e disse que a medida “evoca práticas de censura e bloqueios de contas vistos no pleito de 2022”. A equipe do senador também classificou Moraes como “personagem central do desequilíbrio democrático recente”.
Flávio Bolsonaro e Lula são pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de outubro.
Pesquisa Datafolha divulgada em 20 de junho mostrou Lula com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 31%, em um cenário de disputa direta entre os dois.
Fonte: ND Mais