Decisão ocorre após saída do PL Mulher; Senado é visto como peça-chave na estratégia política contra ministros do STF
Michelle recua de concorrer ao Senado após crise na família e saída do PLFoto: Reprodução/Beto Barata/PL/ND Mais
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não deve disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão divulgada nesta quinta-feira (2) ocorre após sua saída da presidência do PL Mulher e em meio a um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (RJ).
Segundo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Michelle sinalizou que não pretende seguir com a candidatura. De acordo com ele, a ex-primeira-dama comunicou a decisão após reuniões internas e tentativas de mediação dentro da sigla.
A desistência ocorre em um momento de tensão no clã bolsonarista. Em vídeo publicado, Michelle afirma que teria se sentido desrespeitada por Flávio Bolsonaro durante uma conversa telefônica sobre articulações partidárias no Ceará, o que contribuiu para o afastamento de sua participação direta na disputa eleitoral.
briga com Flávio Bolsonaro, Michelle afirmou que houve falta de respeito em conversa sobre estratégias partidárias Foto: Andressa Anholete/Agência Senado e Zack Stencil/PL/Divulgação/ND Mais
Valdemar Costa Neto chegou a se reunir com Michelle Bolsonaro na tentativa de reaproximá-la de aliados e reduzir o desgaste interno no partido.
No entanto, a ex-primeira-dama manteve a decisão de não seguir na corrida ao Senado, alegando estar cansada da política e querendo priorizar a saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro e o bem-estar da filha, Laura.
A disputa pelo Senado em 2026 é considerada estratégica para o cenário político nacional, já que a Casa será renovada em dois terços.
Além de legislar, o Senado tem papel central em decisões institucionais, como a aprovação de ministros para o STF (Supremo Tribunal Federal) e a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra integrantes da Corte, tema frequentemente defendido por setores da direita.
Atualmente, o Senado acumula dezenas de pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo. O principal alvo das solicitações é o ministro Alexandre de Moraes, especialmente após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Alexandre de Moraes foi o ministro relator do julgamento de Jair Bolsonaro no STFFoto: Reprodução/ND Mais
Hoje, o Senado é majoritariamente composto por políticos de centro-direita. O bolsonarismo não tem maioria na Casa, mas é uma força relevante. O PL tem 15 senadores, quase um quinto das 81 vagas, sendo a maior bancada partidária.
E há senadores de outros partidos que, bolsonaristas ou não, também apoiam a cassação de ministros do STF, como Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Eduardo Girão (Novo-CE), Marcos do Val (Avante-ES), Esperidião Amin (PP-SC) e Alessandro Vieira (MDB-SE).
*Com informações do Metropóles
Fonte: ND Mais