Com mais de 1,7 mil mortos na tragédia, porto de La Guaira foi transformado em necrotério improvisado após os terremotos que devastaram a Venezuela
O porto de La Guaira foi transformado em um necrotério improvisado após os terremotos que atingiram a VenezuelaFoto: Federico Parra/AFP/ND Mais
O porto de La Guaira, na Venezuela, foi transformado em um necrotério improvisado após os terremotos que devastaram o país na última quarta-feira (25).
A estrutura passou a receber os corpos retirados dos escombros de prédios que desabaram, enquanto hospitais e necrotérios da região entraram em colapso diante do alto número de vítimas.
Segundo o balanço oficial mais recente, divulgado pelo governo venezuelano, ao menos 1.719 pessoas morreram. O número, no entanto, continua aumentando à medida que equipes de resgate localizam novos corpos sob os escombros.
Jornalistas da agência AFP relataram que médicos legistas trabalham entre dezenas de sacos mortuários empilhados no chão. Alguns corpos já foram colocados em caixões de madeira, também dispostos no solo. Ao lado da tenda que concentra os trabalhos, cerca de uma centena de caixões vazios aguardam para ser utilizada.
#URGENTE 10:44am Cientos de ataúdes son movilizados por personal de emergencia en el Puerto de La Guaira.#ENDESARROLLO
— Andrews Abreu (@AndrewsAbreu) June 30, 2026
(via @UltimaHoraCR) pic.twitter.com/gfHxNU3vBV
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram em um intervalo de poucos segundos e atingiram principalmente o estado costeiro de La Guaira, vizinho a Caracas. O porto da cidade, um dos mais importantes da Venezuela, acabou se tornando o principal ponto para identificação das vítimas e emissão de documentos para sepultamento e cremação.
Desde os primeiros dias após a tragédia, feridos e mortos foram encaminhados aos hospitais da região. Com os necrotérios lotados, as autoridades passaram a concentrar os trabalhos no porto de La Guaira.
Familiares aguardam durante horas em filas para conseguir identificar parentes desaparecidos ou retirar os corpos. Muitos chegam carregando flores enquanto esperam autorização para entrar.
Imagem de satélite da NASA mostra o deslocamento do solo após os terremotos na Venezuela; áreas em vermelho indicam maior movimentação em direção ao satéliteFoto: Reprodução Nasa/ND Mais
Entre eles está Wilker Molalla, de 25 anos, que perdeu quase toda a família.
“Minha família está aí. Me disseram que estão aí minha irmã e os filhos dela, e também os filhos do meu irmão, que sobreviveu”, contou.
Segundo ele, dos 11 familiares que moravam juntos em um bairro próximo ao porto, apenas ele e o irmão sobreviveram porque estavam trabalhando no momento dos tremores. As informações são da agência Deutsche Welle.
Moradores também criticam a falta de equipes para atender à emergência e afirmam que, em muitos casos, as buscas por vítimas são feitas sem apoio das autoridades.
Médicos e técnicos forenses trabalham ao ar livre, sob tendas improvisadas. Além da identificação dos corpos, o porto passou a emitir certidões de óbito e autorizações para cremação. Caminhões especializados também recolhem amostras para a realização das autópsias.
O cozinheiro Antony Marcano, de 41 anos, contou que passou horas procurando pela filha entre as vítimas.
“Ontem caminhei por tudo e não encontrei minha filha. Hoje vim com mais calma e, graças a Deus, a encontrei. Reconheci pelo anel que eu dei a ela.”
Outro morador, Darwin Silva, de 37 anos, conseguiu identificar o corpo da mãe, encontrada sob uma viga em um conjunto habitacional atingido pelos desabamentos.
Enquanto o governo evita divulgar o número de desaparecidos, a ONU (Organização das Nações Unidas) estima que cerca de 50 mil pessoas ainda estejam sem localização.
Diante da gravidade da situação, a entidade anunciou o envio de 10 mil bolsas mortuárias para auxiliar no trabalho das equipes forenses.
Do lado de fora do porto, funerárias privadas oferecem gratuitamente serviços de transporte dos corpos e cremação para as famílias afetadas pela tragédia.
Grande parte da destruição ocorreu no conjunto habitacional Hugo Chávez I, localizado em Catia La Mar, próximo a La Guaira.
A moradora Jenny Contreras, de 28 anos, contou que ela, o marido e o filho de quatro anos passaram a dormir na rua desde os tremores.
Segundo ela, os cerca de 3.400 apartamentos do complexo foram evacuados, e os moradores sequer conseguiram voltar para buscar seus pertences.
Imagens registradas pela AFP mostram edifícios com grandes rachaduras, estruturas expostas e blocos inteiros à beira do colapso, enquanto outros já desabaram completamente, evidenciando a dimensão da tragédia provocada pelos terremotos na Venezuela.
Fonte: ND Mais