Seleção Brasileira faz sua atuação mais consistente na Copa , domina a Escócia, confirma a liderança do Grupo C e chega a próxima fase com evolução tática, força coletiva e destaques individuais
Vini Jr. marcou duas vezes pela Seleção Brasileira contra a EscóciaFoto: Jose Hernandez/Anadolu/AFP/ND Mais
A Seleção Brasileira encerrou a fase de grupos da Copa do Mundo com clara evolução em seu nível de jogo. A vitória sobre a Escócia não apenas garantiu a liderança do Grupo C, mas também apresentou a melhor versão da equipe comandada por Carlo Ancelotti até aqui no torneio. Chamou atenção a evolução coletiva de um time que vinha alternando bons momentos e oscilações nas duas primeiras rodadas.
Aquilo que apareceu mais no primeiro tempo do confronto diante do Haiti e que praticamente não teve na estreia contra o Marrocos surgiu de forma consistente durante os 90 minutos diante dos escoceses: aproximação entre os setores, circulação mais fluida da bola e um funcionamento coletivo muito mais equilibrado.
O Brasil controlou o jogo por dentro com Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá e, muitas vezes com Matheus Cunha, participando ativamente da construção das jogadas e garantindo superioridade técnica e numérica na região central do campo. A marcação pressão do Brasil na saída de bola da Escócia, muitas vezes utilizada durante a partida, que resultou no primeiro gol de Vini Jr, foi um dos destaques táticos dessa vitória.
Bruno Guimarães, inclusive, realizou sua melhor atuação nesta Copa do Mundo, com duas assistências, três passes decisivos, duas grandes chances criadas e 76% de passes certos no campo do adversário. Foi decisivo na organização ofensiva, participou das triangulações, distribuiu o jogo com inteligência e ainda esteve envolvido diretamente em lances importantes, como as assistências para o segundo gol de Vini Jr e o gol de Matheus Cunha. Uma atuação de liderança técnica e tática.
No setor ofensivo, o brilho individual apareceu potencializado pelo coletivo. Vinícius Júnior teve uma noite brilhante. Marcou dois gols, participou intensamente das construções ofensivas, buscou o jogo por dentro e pelos corredores e ainda teve um gol absurdamente anulado pela arbitragem, em um dos erros mais evidentes vistos até agora nesta Copa. Mesmo assim, foi o principal nome da partida. Poderia ter encerrado a noite com um hat-trick e números ainda mais impressionantes.
Os números de Vini Jr no jogo: oito finalizações, sendo cinco para o gol, sendo que fez três gols, um como já dito, foi vergonhosamente anulado. Ainda teve um chute bloqueado, perdeu duas grandes chances. Simplesmente, após o jogo de ontem contra a Escócia, pelo que produziu, Vini se tornou o nono jogador na Seleção Brasileira na história das Copas com mais participações em gols, oito, sendo cinco gols e três assistências.
Ao seu lado, Rayan teve participação importante pelo corredor direito, oferecendo profundidade e amplitude. Matheus Cunha, cada vez mais adaptado à função por dentro, mostrou mobilidade, inteligência nas associações e capacidade de conclusão. Muitas vezes pesando a área como um 9. Fez gol, e junto com Vini Jr vem trazendo a responsabilidade e o protagonismo.
Já Lucas Paquetá contribuiu bastante nas aproximações e na conexão entre meio-campo e ataque, apesar de ter errado muitos passes, e não foi tão mais participativo do que contra o Haiti.
Defensivamente, o Brasil também apresentou evolução. Quando tinha a posse da bola, Danilo frequentemente recuava para formar uma linha de três zagueiros ao lado de Marquinhos e Gabriel Magalhães. Esse movimento permitia que Douglas Santos avançasse mais pelo lado esquerdo, ampliando as opções ofensivas sem comprometer a estrutura defensiva. O resultado foi uma equipe equilibrada, protegida e capaz de sustentar pressão sem sofrer grandes riscos.
Os números ajudam a explicar a superioridade brasileira. Foram 21 finalizações contra 14 da Escócia. Desses arremates, nove acertaram o alvo. A Seleção Brasileira criou seis grandes oportunidades de gol, marcou três vezes e ainda teve um gol incorretamente invalidado. O placar poderia ter sido ainda mais amplo.
O adversário teve números baixos de criação e força ofensiva. Não só pelos méritos do Brasil, mas como também da diferença técnica dos elencos de ambas seleções. Os lances de maior perigo, como já era de se esperar, foram nas bolas paradas e bolas alçadas na área. Que inclusive protagonizou boas defesas do goleiro Alisson.
A seleção da Escócia, como vinha demonstrando até aqui na Copa, tem a busca pelo encaixe defensivo, que sem a bola era com cinco jogadores na linha defensiva e jogando nas transições nos contra-ataques. Por isso provocou da Seleção Brasileira mais o jogo por dentro entre linhas, do que a profundidade pelos lados, que estavam mais fechados.
Nas substituições, poucos tiveram tempo suficiente para avaliação mais profunda. Martinelli foi quem menos conseguiu impactar positivamente. Fabinho e Alexsandro entraram muito mais para preservar Casemiro e Douglas Santos, ambos pendurados. Endrick também teve participação discreta na Seleção Brasileira neste jogo.
Mas o momento mais aguardado da noite foi o retorno de Neymar. Após 36 dias afastado dos gramados por causa de uma lesão na panturrilha, o camisa 10 voltou a atuar e deixou sinais animadores. Sem exageros ou empolgação precipitada, mostrou boa movimentação, buscou tabelas, cobrou faltas e escanteios e ainda conseguiu uma finalização bloqueada. Foi uma reapresentação positiva para quem estava tanto tempo sem competir.
O Japão de Koki Ogawa pode ser o adversário da Seleção Brasileira na próxima fase da Copa do Mundo 2026Foto: Japão/Divulgação
Agora a Seleção Brasileira aguarda a definição do adversário das oitavas de final. Holanda, Japão ou Suécia surgem como possibilidades para o confronto de segunda-feira, às 14 horas. Independentemente de quem estiver do outro lado, o grau de dificuldade aumenta consideravelmente.
A boa notícia para o torcedor brasileiro é que a Seleção Brasileira elevou seu nível de jogo. O coletivo evoluiu, a competitividade cresceu e os destaques individuais passaram a aparecer dentro de uma estrutura mais organizada. E, em Copa do Mundo, quando talento e funcionamento coletivo caminham juntos, as perspectivas naturalmente se tornam mais promissoras.
Para finalizar, gostei da coletiva do Ancelotti e destaco as seguintes frases para a Seleção Brasileira: “Pés no chão”; “Nosso objetivo não é jogar bem, nosso objetivo é ganhar”; “Agora é mata mata, agora é coração forte”. Como eu tenho brincado nas redes sociais, o Ancelotti tem um plano!
O treinador italiano inclusive está moldando a recuperação do Neymar e segurando o lado marqueteiro do atacante. Puxando um profissionalismo e dedicação maior do jogador, que pode ser ainda muito importante nessa Copa, pois agora é quem vai começar a Copa de verdade.
Fonte: ND Mais