Ministério Público investiga a Blaze e pediu cópias dos contratos firmados com Neymar, Virginia e outros influenciadores que divulgaram a plataforma
Neymar e Virginia estão entre os influenciadores citados em investigação do Ministério PúblicoFoto: Reprodução/ND Mais
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) abriu um inquérito civil para investigar supostas práticas abusivas da plataforma de apostas Blaze, conhecida por disponibilizar o “Jogo do Tigrinho” entre seus jogos online.
Entre as medidas determinadas pelos promotores está o pedido de cópia dos contratos firmados com o jogador Neymar Jr., a influenciadora Virginia Fonseca e outros criadores de conteúdo que promoveram a marca nas redes sociais.
A investigação foi instaurada pela 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) e poderá resultar em pedido de indenização por danos morais coletivos estimado em R$ 120 milhões
A Agência Estado procurou a Blaze e as assessorias de Neymar e Virginia, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.
Segundo o Ministério Público, um dos focos da apuração é entender como a plataforma foi promovida por influenciadores digitais e celebridades.
Por isso, os promotores solicitaram os contratos firmados entre a Blaze e os divulgadores da marca, incluindo informações detalhadas sobre as estratégias de marketing utilizadas.
A investigação busca analisar especialmente campanhas que utilizavam expressões como “renda extra” ou mensagens que poderiam transmitir a ideia de ganhos fáceis por meio das apostas.
Blaze é alvo de investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo usuários, publicidade e retenção de valoresFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais
Além da publicidade, o inquérito também investiga denúncias envolvendo retenção de valores de usuários, bloqueios considerados arbitrários de contas e possíveis cláusulas contratuais abusivas.
Os promotores querem saber se a empresa impôs exigências desproporcionais para liberação de bônus e se respeita as normas brasileiras de defesa do consumidor e de apostas de quota fixa.
Também serão analisados procedimentos relacionados ao tratamento de dados pessoais dos usuários.
Neymar teve contratos de publicidade solicitados pelo Ministério Público no âmbito da investigação envolvendo a BlazeFoto: Fifa/Divulgação/ND Mais
O Prodecon determinou a inclusão no processo de relatórios do Reclame Aqui referentes aos últimos 12 meses.
De acordo com o Ministério Público, mais de 42 mil reclamações contra a Blaze foram registradas na plataforma nesse período.
Os promotores solicitaram informações sobre índices de resposta, solução dos problemas relatados e avaliação dos consumidores.
A Blaze deverá apresentar em até 15 dias informações detalhadas sobre os procedimentos de abertura, manutenção, suspensão e encerramento de contas.
O Ministério Público também pediu relatórios sobre contas bloqueadas, valores eventualmente retidos e os motivos utilizados para justificar essas medidas.
Além disso, a empresa deverá informar quais mecanismos utiliza para prevenção à lavagem de dinheiro e apresentar sua estrutura societária completa.
Virginia Fonseca está entre os influenciadores que tiveram contratos requisitados pelo Ministério Público durante a apuração sobre a plataforma de apostasFoto: Instagram/Reprodução/ND Mais
Outro ponto da investigação envolve os mecanismos de proteção aos usuários previstos na legislação brasileira.
O Ministério Público pretende verificar se a plataforma oferece corretamente ferramentas de autoexclusão, limites de apostas e demais medidas de jogo responsável exigidas pelas normas em vigor.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) também foi acionada para encaminhar informações sobre reclamações e processos administrativos envolvendo a empresa.
*Com informações da Agência Estado.
Fonte: ND Mais