• 12 de junho de 2026

Especialista aponta desafios e oportunidades para o mercado de milho e soja durante palestra em Videira

Evento promovido pela Coopervil reuniu produtores rurais e profissionais do agronegócio para discutir cenário macroeconômico, tendências e perspectivas para as próximas safras

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Foto: Fabiano Trindade

Produtores rurais, técnicos e profissionais ligados ao agronegócio participaram, na manhã desta sexta-feira (12), de uma palestra voltada à análise do cenário macroeconômico e das perspectivas para os mercados de milho e soja. O encontro foi realizado no auditório da Unoesc Videira e promovido pela Coopervil em parceria com entidades do setor.

O palestrante convidado foi o analista de mercado agrícola Paulo Molinari, uma das principais referências do país em inteligência de mercado para o agronegócio. Durante a apresentação, ele abordou tendências, desafios e oportunidades que devem influenciar diretamente a rentabilidade dos produtores nos próximos meses.

A palestra proporcionou uma análise ampla do contexto econômico nacional e internacional, destacando fatores que impactam os preços das commodities agrícolas, o comportamento das exportações e as perspectivas para as próximas safras.

Mercado enfrenta ano de margens reduzidas

Segundo Molinari, o atual cenário exige cautela dos produtores diante das margens mais apertadas registradas tanto para a soja quanto para o milho.

“Temos um ano diferente, um ano difícil, complicado, de margens muito apertadas, tanto no milho quanto na soja”, destacou.

O especialista explicou que a América do Sul voltou a registrar uma safra expressiva de soja, com produção recorde em diversos países produtores. No Brasil, cerca de 65% da safra já foi comercializada, enquanto o mercado acompanha atentamente o desenvolvimento da produção norte-americana.

Conforme Molinari, os próximos meses serão decisivos para a definição dos preços internacionais, especialmente devido às condições climáticas nos Estados Unidos, um dos maiores produtores mundiais de grãos.

Além disso, questões geopolíticas e econômicas continuam influenciando os mercados globais, podendo refletir diretamente nos valores recebidos pelos agricultores brasileiros.

Crédito e liquidez preocupam o setor

Outro tema abordado durante a palestra foi a dificuldade de acesso ao crédito rural e a necessidade de liquidez por parte dos produtores.

“O grande problema hoje não é nem volume de oferta, é problema de liquidez, falta de dinheiro, falta de crédito”, afirmou.

Segundo ele, muitos agricultores estão antecipando vendas para cumprir compromissos financeiros e garantir a compra de insumos para a próxima safra.

Mesmo diante de perdas registradas na safrinha de milho em algumas regiões do país, Molinari acredita que o Brasil continuará com oferta suficiente para abastecer o mercado interno e atender às exportações, fator que tende a limitar uma recuperação mais significativa dos preços.

El Niño e perspectivas para 2027

Ao analisar o futuro do setor, o especialista também comentou os possíveis reflexos do fenômeno El Niño na próxima temporada agrícola.

De acordo com ele, a tendência é de aumento das chuvas na Região Sul durante a primavera e o verão, cenário que historicamente favorece boas produtividades para soja e milho.

Por outro lado, o excesso de precipitação pode trazer prejuízos para culturas como o trigo, principalmente durante a fase de colheita.

“Para a safra de verão, o histórico dos El Niños até hoje mostra safras cheias e mais uma boa produção para o ano que vem”, explicou.

Orientação aos produtores

Ao encerrar a palestra, Molinari orientou os agricultores a acompanharem atentamente as movimentações do mercado para aproveitar oportunidades de comercialização.

No caso da soja, ele destacou que oscilações cambiais e eventuais recuperações nas cotações internacionais podem abrir janelas favoráveis para a negociação antecipada da safra 2027.

O evento reforçou a importância da informação e do planejamento estratégico para que os produtores possam enfrentar um cenário cada vez mais desafiador e competitivo no agronegócio.

Fonte: RBV

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