Evento promovido pela Coopervil reuniu produtores rurais e profissionais do agronegócio para discutir cenário macroeconômico, tendências e perspectivas para as próximas safras
Foto: Fabiano Trindade
Produtores rurais, técnicos e profissionais ligados ao agronegócio participaram, na manhã desta sexta-feira (12), de uma palestra voltada à análise do cenário macroeconômico e das perspectivas para os mercados de milho e soja. O encontro foi realizado no auditório da Unoesc Videira e promovido pela Coopervil em parceria com entidades do setor.
O palestrante convidado foi o analista de mercado agrícola Paulo Molinari, uma das principais referências do país em inteligência de mercado para o agronegócio. Durante a apresentação, ele abordou tendências, desafios e oportunidades que devem influenciar diretamente a rentabilidade dos produtores nos próximos meses.
A palestra proporcionou uma análise ampla do contexto econômico nacional e internacional, destacando fatores que impactam os preços das commodities agrícolas, o comportamento das exportações e as perspectivas para as próximas safras.
Segundo Molinari, o atual cenário exige cautela dos produtores diante das margens mais apertadas registradas tanto para a soja quanto para o milho.
“Temos um ano diferente, um ano difícil, complicado, de margens muito apertadas, tanto no milho quanto na soja”, destacou.
O especialista explicou que a América do Sul voltou a registrar uma safra expressiva de soja, com produção recorde em diversos países produtores. No Brasil, cerca de 65% da safra já foi comercializada, enquanto o mercado acompanha atentamente o desenvolvimento da produção norte-americana.
Conforme Molinari, os próximos meses serão decisivos para a definição dos preços internacionais, especialmente devido às condições climáticas nos Estados Unidos, um dos maiores produtores mundiais de grãos.
Além disso, questões geopolíticas e econômicas continuam influenciando os mercados globais, podendo refletir diretamente nos valores recebidos pelos agricultores brasileiros.

Outro tema abordado durante a palestra foi a dificuldade de acesso ao crédito rural e a necessidade de liquidez por parte dos produtores.
“O grande problema hoje não é nem volume de oferta, é problema de liquidez, falta de dinheiro, falta de crédito”, afirmou.
Segundo ele, muitos agricultores estão antecipando vendas para cumprir compromissos financeiros e garantir a compra de insumos para a próxima safra.
Mesmo diante de perdas registradas na safrinha de milho em algumas regiões do país, Molinari acredita que o Brasil continuará com oferta suficiente para abastecer o mercado interno e atender às exportações, fator que tende a limitar uma recuperação mais significativa dos preços.

Ao analisar o futuro do setor, o especialista também comentou os possíveis reflexos do fenômeno El Niño na próxima temporada agrícola.
De acordo com ele, a tendência é de aumento das chuvas na Região Sul durante a primavera e o verão, cenário que historicamente favorece boas produtividades para soja e milho.
Por outro lado, o excesso de precipitação pode trazer prejuízos para culturas como o trigo, principalmente durante a fase de colheita.
“Para a safra de verão, o histórico dos El Niños até hoje mostra safras cheias e mais uma boa produção para o ano que vem”, explicou.
Ao encerrar a palestra, Molinari orientou os agricultores a acompanharem atentamente as movimentações do mercado para aproveitar oportunidades de comercialização.
No caso da soja, ele destacou que oscilações cambiais e eventuais recuperações nas cotações internacionais podem abrir janelas favoráveis para a negociação antecipada da safra 2027.
O evento reforçou a importância da informação e do planejamento estratégico para que os produtores possam enfrentar um cenário cada vez mais desafiador e competitivo no agronegócio.
Fonte: RBV