• 8 de junho de 2026

Brasil terá maior fábrica de mísseis da América Latina; veja quando ela ficará pronta

Projeto liderado pela Edge, grupo dos Emirados Árabes Unidos, reforça a aposta do Brasil na indústria global de defesa

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Brasil terá a maior fábrica de mísseis da América Latina, localizada em Caçapava (SP), com inauguração prevista para novembroFoto: Reprodução/ND Mais

O Brasil deve ganhar ainda este ano a maior fábrica de mísseis da América Latina. A unidade está sendo construída em Caçapava, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, e tem previsão de inauguração para novembro.

O empreendimento pertence à Siatt, empresa brasileira especializada em sistemas de defesa e controlada pelo grupo Edge, dos Emirados Árabes Unidos.

Segundo a companhia, a nova planta terá capacidade para produzir até oito mísseis antinavio por mês, tornando-se a maior da região em volume de produção.

“Vai ser a primeira fábrica da América Latina desse tamanho em nível de produção. É uma fábrica que pode produzir até oito mísseis antinavio por mês. A previsão é inaugurar em novembro”, afirmou Rodrigo Torres, diretor financeiro (CFO) da Edge, em entrevista à revista Exame.

Rodrigo Torres, CFO (diretor financeiro) da EdgeRodrigo Torres, CFO (diretor financeiro) da Edge, uma das maiores companhias globais de defesa (Divulgação)Rodrigo Torres, CFO (diretor financeiro) da Edge, uma das maiores companhias globais de defesaFoto: Reprodução/ND Mais

O investimento ocorre em meio ao forte crescimento do mercado global de defesa, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas e pela demanda por equipamentos militares e tecnologias de segurança.

De acordo com Torres, a nova fábrica foi planejada não apenas para atender as necessidades do mercado brasileiro, mas também para abastecer clientes internacionais.

“Estamos investindo nessa fábrica não só para o Brasil, mas para exportação. A Siatt continua expandindo as ofertas de produtos. Recentemente, realizou a primeira entrega de mísseis antitanque ao Exército Brasileiro e a expansão nessa área continua”, disse.

Gigante global de defesa amplia presença no Brasil

Criada em 2019, a Edge nasceu da união de 25 empresas dos Emirados Árabes Unidos voltadas para os setores de defesa e segurança. Em poucos anos, a companhia se tornou uma das maiores do mundo no segmento, com cerca de 15 mil funcionários e receita anual próxima de US$ 5 bilhões.

A nova fábrica de mísseis no Vale do Paraíba terá capacidade técnica para produzir até oito unidades antinavio por mêsFoto: Reprodução/ND MaisA nova fábrica de mísseis no Vale do Paraíba terá capacidade técnica para produzir até oito unidades antinavio por mêsFoto: Reprodução/ND Mais

Nos últimos dois anos, o grupo realizou aproximadamente 25 aquisições em diferentes países. Entre elas estão as brasileiras Siatt e Condor, fabricante de tecnologias não letais e equipamentos de segurança.

Além da nova fábrica de mísseis em Caçapava, a Edge também prepara uma unidade em São José dos Campos, focada em tecnologias de monitoramento, câmeras, sensores e equipamentos não letais, como armas de incapacitação elétrica.

Mercado de defesa vive expansão global

Segundo o executivo, a indústria de defesa atravessa um dos períodos de maior crescimento da história recente. Conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia, as tensões no Oriente Médio e o aumento dos investimentos militares na Europa têm impulsionado o setor.

“A gente acredita que nos próximos 20 anos o mercado de defesa continuará crescendo. A Europa voltou a investir fortemente em defesa e busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos”, afirmou.

Torres destaca que os avanços tecnológicos também estão mudando rapidamente a forma como guerras e operações militares são conduzidas. O uso de drones, sistemas conectados e inteligência artificial passou a desempenhar papel central nas estratégias de defesa.

Inteligência artificial já está presente em até 70% dos produtos

A Edge estima que entre 60% e 70% dos seus produtos já utilizem inteligência artificial em alguma etapa, seja no desenvolvimento, na fabricação ou na operação dos sistemas.

A fábrica de mísseis da Siatt em SP integra uma estratégia de alta tecnologia que envolve o uso de Inteligência Artificial na produçãoFoto: Siatt/Divulgação/ND MaisA fábrica de mísseis da Siatt em SP integra uma estratégia de alta tecnologia que envolve o uso de Inteligência Artificial na produçãoFoto: Siatt/Divulgação/ND Mais

A tecnologia tem sido aplicada principalmente em plataformas de vigilância, radares, sensores e sistemas de apoio à tomada de decisão, permitindo respostas mais rápidas e precisas em cenários de conflito.

Para o executivo, o futuro da defesa passa pela integração entre diferentes forças militares, pelo combate a ameaças de baixo custo, como drones, e pela ampliação do uso de IA para análise de dados e planejamento estratégico.

Fronteiras digitais ganham espaço

Outra tendência apontada pela empresa é o crescimento das soluções tecnológicas para monitoramento de fronteiras. Em vez de barreiras físicas, países têm investido em redes de sensores, drones, radares, satélites e sistemas de comunicação para acompanhar movimentações em áreas extensas.

Segundo Torres, o Brasil está entre os países que discutem novas soluções para proteção de fronteiras terrestres e marítimas, acompanhando uma tendência já observada em outras regiões do mundo.

Fonte: ND Mais

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