Em relato no 8º Distrito Policial, no Brás, o tenente-coronel afirmou que, no dia do crime, fez orações
Caso Gisele: coronel suspeito de matar esposa diz ser homem religioso que ‘fala com Deus’Foto: @dcmoline/Montagem/TJSP/Reprodução/ND Mais
Preso pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto declarou em novo depoimento que é religioso e que “fala com Deus” diariamente. A fala foi dada à Polícia Civil após a prisão.
Em relato à Polícia Civil, o tenente-coronel afirmou que, no dia do crime, fez orações antes de conversar com a esposa, para pedir o término do relacionamento.
Entretanto, mensagens analisadas pela perícia indicam que Gisele insistia no fim do relacionamento, descrito no inquérito como marcado por violência psicológica e física.
“Naquele dia [do assassinato] lembro que eu pedi para Deus que iluminasse os meus pensamentos, as minhas palavras, para que eu tomasse a decisão correta, porque era uma decisão muito importante”, disse o tenente-coronel.
Rosa Neto ainda disse que tem o hábito de se ajoelhar para rezar desde a infância, repetindo orações ensinadas pela mãe por cerca de 20 a 30 minutos, conforme a “inspiração religiosa”.
Segundo o depoimento, também pediu que os pensamentos de Gisele fossem iluminados para que o casal definisse o futuro do casamento. Após o momento de oração, afirmou ter ido até o quarto onde a esposa estava.
O oficial relatou que encontrou Gisele deitada, usando toalha e mexendo no celular. Nesse momento, disse que comunicou a decisão de terminar o relacionamento.
“Ela levantou repentinamente da cama, veio na minha direção, me empurrou assim com as duas mãos, me empurrando para fora do quarto. Quando ela me empurrou assim com as duas mãos no meu peito, eu andei para trás, saí do quarto”, declarou o tenente-coronel.
Ele acrescentou que a esposa teria fechado a porta com força logo em seguida.
PM foi morta com tiro na cabeça em São PauloFoto: Dcmoline/@dcmoline/X
Fora do quarto, o tenente-coronel disse que decidiu tomar banho e refletir sobre a conversa. Durante esse período, afirmou ter ouvido um barulho forte.
Ao sair do banheiro, disse ter encontrado a companheira caída e com a cabeça sangrando.
“Quando eu ouvi aquele barulho, eu jamais iria imaginar que teria sido um tiro que ela tinha dado na cabeça”, disse Geraldo.
Essa versão vem sendo sustentada por ele e pela defesa desde o dia da morte, em 18 de fevereiro.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, há indícios de que a dinâmica do crime seja diferente da apresentada pelo suspeito. Laudos da perícia indicam que Gisele pode ter sido imobilizada antes de ser baleada.
Marcas de dedos e unhas no pescoço e na mandíbula da vítima, além de manchas de sangue no vitrô que dá acesso à varanda do apartamento, reforçam a conclusão técnica.
Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita poucas horas depois, diante de contradições no relato e dos elementos encontrados no local, além de depoimentos de testemunhas.
Com isso, Geraldo Leite Rosa Neto foi preso, suspeito de feminicídio e fraude processual, com mandados expedidos pela Justiça comum e militar.
Ele permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, por tempo indeterminado.
Geraldo Leite Rosa Neto foi preso, suspeito de feminicídioFoto: TJM/Metrópoles/Reprodução/ND Mais
*Com informações do Metrópoles.
Fonte: ND Mais