• 25 de março de 2026

A ‘armadilha’ da nova CNH: brasileiros estão pagando R$ 400 apenas para marcar a prova prática

Novo modelo da CNH permite formação sem autoescola, mas etapa final ainda gera custos extras aos motoristas

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Candidatos da nova CNH enfrentam dificuldades para agendar a prova prática de forma autônoma nos sistemas dos Detrans estaduaisFoto: Michel Corvello/Ministério dos Transportes/ND Mais

Três meses após o lançamento do programa CNH Brasil, que prometia reduzir custos ao permitir a formação sem autoescola, candidatos relatam estar pagando até R$ 400 apenas para conseguir agendar a prova prática em alguns estados.

A cobrança, segundo entidades do setor, ocorre justamente no exame final do processo, onde ainda há entraves operacionais nos Detrans do país.

Promessa de economia vs. realidade dos custos

Desde dezembro, mais de 3,5 milhões de pessoas se inscreveram para tirar a habilitação pelo novo modelo, que permite aulas com instrutores autônomos e menos exigências formais. Cerca de 30 mil já concluíram o processo e estão com a CNH em mãos. Apesar da adesão expressiva, a implementação não ocorre de forma uniforme em todo o país.

De acordo com a Anit (Associação Nacional dos Instrutores de Trânsito), há gargalos importantes em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Rondônia e Paraná. O principal problema não está no início da formação, que já pode ser feita de forma mais independente, mas sim na dificuldade de acesso ao exame prático.

Com o novo modelo, a média de aulas práticas escolhidas pelos alunos caiu de 20 (obrigatórias anteriormente) para apenas cincoFoto: Lia de Paula/Agência SenadoCom o novo modelo, a média de aulas práticas escolhidas pelos alunos caiu de 20 (obrigatórias anteriormente) para apenas cincoFoto: Lia de Paula/Agência Senado

Na prática, muitos candidatos ficam com o processo da nova CNH travado ao tentar marcar a prova. Diante disso, acabam recorrendo a autoescolas, mesmo após terem realizado todas as etapas anteriores de forma autônoma.

“Em alguns locais, cobram cerca de R$ 399, valor referente a duas aulas e aluguel do carro, apenas para viabilizar o agendamento do exame prático”, afirma Paulo Cesar, presidente da Anit.

O entrave tem origem no próprio modelo anterior, em que as autoescolas concentravam a marcação dos exames. Com a mudança proposta pelo CNH Brasil, essa função deveria ser transferida ao candidato ou ao instrutor independente. No entanto, a adaptação dos sistemas estaduais ainda não foi concluída de forma padronizada.

O “nó” tecnológico nos Detrans

A resistência é, em grande parte, operacional. Durante décadas, o agendamento de exames foi exclusivo das autoescolas. Agora, essa transição para o modelo autônomo da nova CNH enfrenta barreiras, conforme informações do UOL:

  • São Paulo: o Detran-SP afirma que o processo opera normalmente, mas admite que ainda finaliza ajustes para permitir o uso de veículos particulares no exame.
  • Rio de Janeiro: a limitação é oficial. O órgão permite o exame teórico independente, mas exige que o agendamento da prova prática seja feito via CFC (Centro de Formação de Condutores).
  • Rondônia: o agendamento ainda é presencial, pois o sistema digital segue em desenvolvimento.
  • Ceará e Paraná: não responderam oficialmente, mas no Ceará o modelo ainda consta como “em fase de implantação”.

A Senatran iniciou inspeções in loco nos Detrans para investigar restrições que impedem o pleno funcionamento da nova CNH em todo o paísFoto: Agência Brasil/Reprodução/ND MaisA Senatran iniciou inspeções in loco nos Detrans para investigar restrições que impedem o pleno funcionamento da nova CNH em todo o paísFoto: Agência Brasil/Reprodução/ND Mais

Governo Federal inicia fiscalização

Apesar dos problemas regionais, a Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) defende que o programa é um sucesso estatístico. Dados mostram que os alunos estão optando por uma média de 5 aulas práticas, em vez das 20 que eram obrigatórias anteriormente.

Para resolver os travamentos nos estados, o secretário nacional de trânsito, Adrualdo Catão, confirmou que o governo já iniciou inspeções in loco.

“Os estados precisam explicar por que ainda não fizeram as adaptações necessárias. O problema não é o modelo, é a operação dos sistemas estaduais”, afirmou o secretário.

Fonte: ND Mais

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