A Justiça americana acusa a gigante de shows de manter monopólio ilegal para inflar preços de ingressos da Ticketmaster e taxas adicionais
Ticketmaster, coordenada pela Live Nation, afirma ter lucro mínimo e nega exploração de fãsFoto: Pinterest/Reprodução/ND Mais
A Ticketmaster e sua detentora, a Live Nation, enfrentam um processo histórico movido pelo governo dos Estados Unidos por práticas de “monopólio”. A gigante é acusada de usar do seu poder de mercado para explorar fãs de música e sufocar a concorrência global.
O Departamento de Justiça americano afirma que a Live Nation mantém domínio ilegal no setor de entretenimento ao vivo. O objetivo da ação é, de certa forma, desmembrar a empresa para garantir preços mais justos e maior liberdade competitiva.
De acordo com a acusação apresentada no Tribunal Distrital em Manhattan, a Live Nation utiliza algumas táticas de pressão para garantir soberania. O governo alega que a empresa exige que artistas utilizem seus serviços de promoção para ter acesso a grandes arenas sob seu controle.
Além disso, casas de shows seriam pressionadas a ceder e assinar contratos exclusivos com a Ticketmaster. O argumento é que, diante da chance de perder as turnês mais famosas do mundo com alta probabilidade de renda, os locais acabam cedendo ao domínio que o grupo tem, o que limita as opções para o consumidor final.
Futuro da Live Nation está em discussão após processo antitrusteFoto: Pinterest/Reprodução/ND Mais
Um dos pontos altos do julgamento envolve a cantora Taylor Swift. O caos gerado na venda de ingressos para a “The Eras Tour” foi citado pelos promotores como uma prova clara das falhas estruturais e da falta de concorrência.
Na ocasião, milhões de fãs enfrentaram filas virtuais intermináveis e taxas abusivas, o que gerou uma onda de indignação global contra a plataforma.
Para o governo, esse episódio não foi um erro isolado, mas o resultado de um “colosso sem igual” que não teme perder clientes por falta de alternativas no mercado, o que gera preocupações.
Em contrapartida, a defesa da Live Nation nega as acusações. O advogado David Marriott afirmou ao júri que a empresa não detém poder de monopólio e que o setor é “mais competitivo do que jamais foi”.
A Live Nation é dona da Ticketmaster, que pode deixar de pertencer ao grupoFoto: Pinterest/Reprodução/ND Mais
A empresa também sustenta que sua margem de lucro na venda de ingressos é de aproximadamente 5%, contestando a ideia de que lucra excessivamente às custas do público. Para a defesa, as estrelas da música e as grandes casas de shows são parceiros que possuem “forte poder de negociação”.
Se a Justiça decidir por desmembrar a Live Nation, a estrutura do entretenimento mundial pode mudar drasticamente. Atualmente, a empresa opera de forma integrada, gerenciando mais de 300 artistas, controla 460 casas de shows e realizou cerca de 55 mil eventos apenas em 2025.
O desfecho na Justiça será decisivo para os bilhões de dólares que circulam anualmente na indústria da música.
Fonte: ND Mais