Uma tempestade solar raríssima provocou auroras boreais inéditas em países fora da rota do fenômeno e acende alerta para impactos em energia e satélites
Tempestade solar raríssima provoca espetáculo no céu de Portugal; fenômeno pode atingir mais países europeusFoto: Meteo Trás os Montes – Portugal/Facebook
Uma tempestade solar raríssima atingiu a Terra nos últimos dias e produziu um efeito incomum com auroras boreais visíveis em países fora da rota tradicional do fenômeno, incluindo regiões do Sul europeu.
O evento, classificado como tempestade geomagnética de nível 4 em uma escala que vai até 5, chamou a atenção de cientistas e acendeu diversos alertas para possíveis impactos em sistemas de energia e satélites.
Conforme o SWPC (Centro de Previsão do Clima Espacial dos Estados Unidos), o fenômeno teve origem em intensas explosões solares, mas deve perder força de maneira gradual, apesar de ainda poder gerar efeitos residuais ao longo do dia.
Registros feitos por moradores e serviços meteorológicos mostram céus iluminados por tons rosados e esverdeados em áreas onde auroras boreais praticamente não ocorrem. Em Portugal, por exemplo, imagens foram captadas em cidades do norte e até em regiões mais ao sul, algo considerado extremamente raro.
O fenômeno também foi observado em outros pontos da Europa, o que ampliou alcance visual das auroras muito além das zonas próximas ao Círculo Polar Ártico, onde normalmente aparecem.
A tempestade solar raríssima foi causada por ejeções de massa coronal, que são enormes nuvens de partículas carregadas lançadas pelo Sol. Essas partículas podem levar dias para alcançar a Terra.
Quando entram em contato com o campo magnético do planeta, desencadeiam tempestades geomagnéticas.
Esse processo é o responsável pela formação das auroras boreais no hemisfério norte e das auroras austrais no hemisfério sul, quando as partículas solares colidem com gases da atmosfera terrestre.
Tempestade solar raríssima pode provocar danos a satélites e equipamentos de comunicaçãoFoto: Canva/ND Mais
Além do espetáculo visual, eventos dessa magnitude preocupam autoridades e especialistas.
O SWPC alerta que tempestades geomagnéticas de nível 4 podem provocar falhas temporárias em redes elétricas, sistemas de navegação por satélite e comunicações.
Em casos extremos, transformadores podem ser danificados e satélites, desorientados. Embora não haja registros de grandes interrupções até o momento, o monitoramento segue ativo.
Além de Portugal, a Espanha também está no radar das agências meteorológicas. Isso porque o SWPC informou que uma tempestade de radiação solar S4 em escala de cinco níveis está em andamento.
Em uma publicação no X (antigo Twitter), a agência observou: “Uma tempestade severa de radiação solar S4 já está em andamento; é o maior em mais de 20 anos”, e lembrou que a última vez com valores S4 foi em outubro de 2003.
An S4 severe solar radiation storm is now in progress - this is the largest solar radiation storm in over 20 years. The last time S4 levels were observed was in October, 2003. Potential effects are mainly limited to space launch, aviation, and satellite operations. pic.twitter.com/kCjHj4XYzB
— NOAA Space Weather Prediction Center (@NWSSWPC) January 19, 2026
De acordo com os especialistas da agência, está é a maior tempestade solar mais intensa registrada desde 2003, quando um evento semelhante causou apagões em partes da Suécia e danos a infraestrutura elétricas na África do Sul.
A recorrência desse tipo de fenômeno está ligada ao ciclo de atividade solar, que passa por períodos de maior e menor intensidade ao longo de aproximadamente 11 anos.
A raridade não está apenas na força da tempestade, mas no alcance geográfico das auroras, visíveis em áreas densamente povoadas e fora do padrão histórico. Isso amplia o interesse científico e também o impacto público do evento.
Para pesquisadores, a tempestade oferece uma oportunidade valiosa de estudar como o campo magnético da Terra responde a episódios extremos de atividade solar.
A tendência é de enfraquecimento gradual da tempestade solar raríssima, mas especialistas alertam que novas ejeções solares podem ocorrer nos próximos meses, à medida que o Sol se aproxima do pico de seu ciclo de atividade.
Autoridades seguem monitorando os efeitos para reduzir riscos a infraestruturas críticas e sistemas de comunicação global.
Fonte: ND Mais