Caso os resultados sejam positivos em testes clínicos, a tecnologia poderá ser adaptada futuramente para auxiliar também na detecção de outros tipos de câncer
Dispositivo pode auxiliar no tratamento do câncer de mamaFoto: Reprodução/ND Mais
Pesquisadores britânicos desenvolveram um dispositivo inovador que promete ajudar na detecção precoce do câncer de mama por meio da tecnologia sem fio. O equipamento tem o formato de um pequeno adesivo, semelhante aos de nicotina, e é aplicado diretamente sobre a pele de forma suave e indolor.
O câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil. Estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer) revelam que o país deve registrar 73.610 novos casos da doença em 2025. Em 2023, foram mais de 20 mil óbitos, com maior concentração nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.
A tecnologia que pode ajudar a mudar esse cenário foi criada por especialistas da Universidade de Bristol, com financiamento da Cancer Research UK. O princípio de funcionamento é baseado na identificação de mudanças sutis de temperatura dentro do tecido mamário.
Como células cancerígenas crescem mais rapidamente do que as células normais, elas aumentam o fluxo sanguíneo local, o que pode gerar pequenos “pontos quentes” sob a pele, um possível sinal inicial de um tumor.
A pesquisadora Marah Alassaf, responsável pelo projeto, espera que o adesivo termossensível ajude a monitorar pessoas com maior risco de câncer de mama, reduzir biópsias invasivas e mamografias desconfortáveis, diminuir as visitas ao hospital e oferecer uma opção prática de triagem em áreas com poucos recursos.
Dispositivo rastreia pequenas ondas de calor geradas pelo tumorFoto: Divulgação/Cancer Research UK/ND Mais
“A ideia é fornecer uma ferramenta prática e não invasiva que possa, um dia, ajudar a detectar o câncer mais cedo”, diz Alassaf.
O adesivo possui apenas 1,5 milímetro de espessura e contém nove sensores de temperatura capazes de detectar variações inferiores a 1 °C mesmo em camadas mais profundas do tecido mamário. Nos testes iniciais, ele foi avaliado em um modelo artificial de mama feito de silicone, com resultados promissores.
O dispositivo funciona com uma bateria interna e transmite os dados por Wi-Fi para um aplicativo instalado no smartphone. A partir dessas informações, é gerado um mapa térmico que pode ser acompanhado ao longo do tempo.
“Um mapa de calor se parece um pouco com um tabuleiro de xadrez. Cada quadrado representa um dos nove sensores ultraflexíveis no adesivo, permitindo ver exatamente qual parte do adesivo apresentou um aumento de temperatura”, explica Alassaf.
Marah Alassaf é a líder da pesquisaFoto: Divulgação/Cancer Research UK/ND Mais
A proposta é que ele seja usado especialmente por mulheres consideradas de alto risco, como pacientes que já tiveram câncer de mama e estão em remissão, ou aquelas com histórico genético.
“O usuário usaria o adesivo por um período prolongado”, diz ela. “Procuraríamos um padrão de temperatura mais alta em uma área específica. Isso nos indicaria a necessidade de uma investigação mais aprofundada”, explica Alassaf.
A expectativa dos cientistas é que o adesivo funcione como um complemento entre esses exames, não como substituto. A ideia é permitir um acompanhamento mais frequente e identificar alterações suspeitas de forma mais rápida.
Próximo passo é testar adesivo em humanosFoto: Divulgação/Cancer Research UK/ND Mais
“É uma ferramenta extra na caixa de ferramentas. Complementa outras ferramentas de diagnóstico médico, permitindo que parte do trabalho seja feita no conforto da casa das pessoas”, destaca a pesquisadora.
Diferente de protótipos anteriores, como sutiãs inteligentes, o novo dispositivo foi desenvolvido para ser leve, ultrafino e confortável, permitindo o uso contínuo por dias ou até semanas sem causar irritação na pele.
Os cientistas planejam iniciar testes em humanos nos próximos anos. Caso os resultados sejam positivos, a tecnologia poderá ser adaptada futuramente para auxiliar também na detecção de outros tipos de câncer.
A expectativa é que o avanço represente um novo passo na medicina preventiva, aumentando as chances de diagnóstico precoce e, consequentemente, as taxas de sucesso no tratamento do câncer.
Fonte: ND Mais