• 5 de dezembro de 2025

Balança Comercial: Preço do café dispara 46,6% e salva saldo em novembro

Mesmo com queda de 25,6% no volume exportado, valorização internacional do preço do café aumenta a receita e ajuda a manter superávit nas contas externas.

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Alta no preço, depois das tarifas de Trump, compensa redução do volume exportado e saldo na balança comercial é positivo.Foto: Imagem gerada por IA pelo ND Mais

A balança comercial de novembro revelou um comportamento clássico do mercado de commodities: a forte valorização do café, que registrou alta de 46,6% no preço médio internacional, compensou integralmente a queda de 25,6% no volume exportado pelo Brasil. Essa redução é atribuída principalmente ao tarifaço norte-americano sobre os produtos brasileiros.

Os dados divulgados nesta quinta-feira (4) pela Secex/MDIC (Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que, mesmo com menos sacas embarcadas, a receita total do café aumentou, sustentada pela elevação dos preços globais e pela demanda aquecida em outros mercados tradicionais. Assim, o país vendeu menos café, mas ganhou mais dinheiro por saca, colaborando com o saldo positivo na balança comercial.

O café é um dos produtos agrícolas mais sensíveis a condições climáticas globais e, com quebras de safra registradas neste ano em importantes regiões produtoras — em especial na Ásia e na América Central —, a oferta internacional diminuiu e o preço médio disparou quase 50%.

Nesse cenário, países produtores como o Brasil — que é o líder mundial no mercado de café verde (não torrado) — acabam por se beneficiar de um mercado global de oferta apertada.

Agro e preço do café na balança comercial

O comportamento do café segue a tendência mais ampla da agropecuária brasileira, que apresentou crescimento significativo em novembro. O governo federal comemorou os números, como disse o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, em discurso nesta quinta-feira (4), no Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável). “O agronegócio batendo recorde, 17% de aumento da safra este ano e a indústria sendo retomada”, comemorou.

Embora a oscilação no volume exportado tenha impacto logístico e possa pressionar cooperativas e produtores, a elevação dos preços médios oferece um colchão financeiro importante. Esse fenômeno não é raro: commodities agrícolas frequentemente passam por ciclos de oferta e demanda que resultam em aumento de preço. A diferença, em 2025, foi a intensidade da valorização e a capacidade do Brasil de seguir atendendo sua parcela do mercado internacional.

Para os próximos meses, analistas esperam que a relação entre volume e preço continue oscilando, mas com tendência de estabilidade na receita, especialmente enquanto persistir a oferta apertada em outras regiões produtoras.

Esse desempenho do café em novembro indica que, caso os preços permaneçam elevados e a relação com os EUA se normalize, com o café continuando livre das sobretaxas nos próximos meses, o saldo positivo na balança comercial pode ser ampliado.

Fonte: ND Mais

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