Empresa registrada em Florianópolis é investigada por suspeita de usar igrejas evangélicas para atrair investidores e captar fiéis para esquema fraudulento de criptomoedas
Empresa cadastrada na capital catarinense é investigada por suspeita de usar igrejas evangélicas para lavar dinheiro de golpes com criptomoedas e captar fiéis como investidores – Foto: Reprodução/ND
Com sede em Florianópolis, a empresa MDX Capital Miner – que já atuou no mercado com o nome Credminer – é alvo de investigações e ações judiciais em diferentes estados brasileiros por suspeita de aplicar golpes financeiros disfarçados de investimentos em criptomoedas. A atuação descentralizada, com aliciamento de vítimas em diversas regiões, motivou apurações no Ceará, em São Paulo e em Minas Gerais.
No Ceará, o Ministério Público estadual investiga a empresa por suspeita de lavagem de dinheiro, crime contra a economia popular e operação de pirâmide financeira. A apuração começou após denúncias de que igrejas evangélicas estariam sendo usadas para atrair fiéis a um suposto esquema de mineração de bitcoins.
As investigações apontam que líderes religiosos ligados à MDX promoviam os investimentos prometendo lucros altos e fixos.
A Justiça de São Paulo também se envolveu após investidores locais processarem a empresa por prejuízos financeiros. Em um dos casos, a MDX foi condenada a devolver R$ 40 mil a um cliente que alegou não ter recebido os valores prometidos.
Já em Minas Gerais, o Judiciário determinou o bloqueio de R$ 200 mil das contas da empresa para garantir o ressarcimento a outras duas vítimas.
A MDX se apresenta atualmente como empresa de tecnologia e educação financeira, mas sua principal atividade consistia em oferecer pacotes de investimento com retorno mensal garantido, supostamente gerado por operações de mineração de criptomoedas.
As investigações indicam que os lucros prometidos aos clientes seriam pagos com o dinheiro de novos participantes, prática comum em esquemas de pirâmide.
Segundo as apurações em curso, igrejas evangélicas teriam sido usadas como canal de captação de investidores, especialmente por meio da atuação de pastores ligados à empresa. Através das recomendações dos líderes religiosos durante cultos ou em redes sociais, os fiéis fariam os investimentos através da confiança, da aparência de legitimidade e da fé.
A estrutura permitiria ainda o uso de igrejas como fachada para movimentar grandes quantias sob a justificativa de doações, dificultando o rastreamento dos valores.
O CNPJ da MDX registra a sede da empresa no Edifício Zigurate, no Centro de Florianópolis – Foto: Reprodução/ND
O modelo chamou atenção das autoridades federais. Segundo informações do Cointelegraph, especializado no mercado de bitcoins, o MPF (Ministério Público Federal) pediu a quebra de sigilos da MDX como parte de uma investigação que também envolve o uso indevido de dados pessoais de investidores. As estruturas em apuração teriam sido organizadas de forma a ocultar a origem dos recursos e driblar mecanismos de controle financeiro.
Em Santa Catarina, não há registros públicos de ação penal recente contra a empresa, mas seu CNPJ continua ativo no estado, e representantes locais aparecem promovendo a marca.
Um dos nomes supostamente associados à MDX é o do pastor evangélico Davi Nicoletti. Em vídeos, ele aparece atacando políticos de esquerda e ostentando itens de alto valor.
Nicoletti é apontado como um dos principais influenciadores do esquema, mas nega as acusações. Ao colunista Paulo Cesar da Luz, do ND Mais, o pastor negou qualquer irregularidade e afirmou que não há lavagem de dinheiro.
Apesar das denúncias e da mudança de nome, a empresa permanece registrada em Florianópolis, embora esteja com a situação cadastral inapta desde agosto de 2024, devido à omissão de declarações fiscais.
Isso indica que, formalmente, suas atividades estão suspensas, mas representantes ligados à marca ainda aparecem promovendo seus serviços em diferentes estados – o que a torna alvo de apurações judiciais e criminais por todo o país.
A reportagem procurou a MDX para comentar as denúncias e processos em andamento, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Fonte: ND Mais