• 19 de março de 2026

‘80% de probabilidade’: El Niño avança e calor extremo já tem data para chegar ao Brasil

Probabilidade de o fenômeno climático se consolidar saltou de 60% para 80%; meteorologista do Cemaden alerta para riscos de incêndios e extremos térmicos

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A probabilidade de consolidação do El Niño subiu de 60% para 80% em apenas um mêsFoto: Nasa/Divulgação/ND

O Brasil deve se preparar para um segundo semestre de temperaturas escaldantes. De acordo com o mais recente boletim da Noaa (Administração de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos), as chances de o fenômeno El Niño se consolidar a partir de agosto saltaram de 60% para 80%.

A transição, que deve ocorrer de forma acelerada, promete trazer um calor extremo para todo o país, com intensidade variando de moderada a forte.

O fim da trégua e a chegada do calor

Atualmente, o clima ainda sente os reflexos da La Niña, mas estamos entrando em um período de neutralidade que deve durar até junho. No entanto, o alívio tem data para acabar. Segundo Marcelo Seluchi, meteorologista e chefe de operações do Cemaden, a mudança será brusca.

“As probabilidades aumentaram muito. Passaram de 80% as chances a partir de agosto. Vai acontecer”, afirma Seluchi.

O fenômeno deve ganhar força total a partir de agosto, com transição acelerada após o fim da La NiñaFoto: Imagem gerada por IA/ND MaisO fenômeno deve ganhar força total a partir de agosto, com transição acelerada após o fim da La NiñaFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais

A partir de julho, o cenário muda e, de setembro em diante, o fenômeno pode ganhar força. O resultado direto é um só: termômetros lá no alto. Esse calor intenso traz consigo problemas crônicos, como a baixa umidade do ar e o aumento do risco de incêndios florestais, especialmente na região Norte.

El Niño avança: o que esperar das chuvas?

Diferente da certeza sobre o calor, o comportamento das chuvas ainda é uma incógnita em algumas regiões, mas segue o padrão clássico do fenômeno:

  • Sul: tendência de chuvas acima da média.
  • Norte: previsão de seca e maior risco de queimadas no segundo semestre.
  • Sudeste e Centro-Oeste: o cenário ainda é incerto.
  • Amazonas: pode registrar chuvas acima da média na parte alta até junho.

Apesar do trauma recente com as enchentes no Rio Grande do Sul, Seluchi esclarece que não há motivo para pânico imediato sobre a repetição de tragédias daquela magnitude, embora o risco de eventos extremos sempre exista.

O efeito mais garantido para o segundo semestre é o calor extremo em todo o território nacionalFoto: Fernando Frazão/Agência Brasil/ND MaisO efeito mais garantido para o segundo semestre é o calor extremo em todo o território nacionalFoto: Fernando Frazão/Agência Brasil/ND Mais

Mitos climáticos

O especialista também aproveitou para desmistificar teorias que circulam nas redes sociais sobre uma suposta “bolha fria” no Atlântico que traria mais chuvas.

Segundo ele, essa análise não faz sentido técnico, pois o que realmente governa o clima brasileiro neste momento são as alterações no Oceano Pacífico e o fluxo de umidade vindo da Amazônia.

O recado é claro: o foco dos próximos meses deve ser a adaptação aos extremos de temperatura, que são a única certeza dessa nova fase climática.

Fonte: ND Mais

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